Capital de giro: assunto importante para quem quer empreender

Nesta semana, dando sequência ao tema empreendedorismo que começamos a explorar na última coluna, vou falar mais detalhadamente do capital de giro de uma empresa. Seja ela pequena, média ou grande. A administração do capital de giro consiste, em outras palavras, num conjunto de regras que visam a preservação da saúde financeira da empresa.

O enfoque para a realização da tarefa de capacitar os empreendedores na área financeira centra-se basicamente na procura da eficiência na gestão de recursos. Isso é feito através da maximização de seus retornos e minimização de seus custos. Para tanto, vou utilizar os seguintes processos de mensuração, elaboração, análise/diagnóstico, consideração e adequação dos recursos aplicados no giro.

Capital de giro - empreender - francisco freitas

Cálculos para o capital de giro

PME (mp) – Prazo médio mensal de estoque da matéria-prima (mp)
PME (mp) – SM: matéria-prima/Consumo de matéria-prima x 30
SM – saldo médio, podendo ser obtido pela análise do saldo inicial + saldo final/30. No caso das MPE´s, consideramos ideal a média da média dos últimos 3 meses e ainda comparada com o mesmo trimestre de anos anteriores com a finalidade de se avaliar as sazonalidades.
PMF – Prazo médio mensal de fabricação
PMF – SM: Produtos em Processo/Valor total Produzido x 30. Acumulação de valores de matéria-prima do início ao fim do processo de fabricação. Se a empresa não adota controles de produção por fase de processo, é possível substituir pelo PME até produtos acabados. Ou seja, da entrada da matéria-prima no estoque até o fim da produção.
PMV – Prazo médio de vendas – (a partir daqui, válido para comércio também)
PMV – SM: Estoque de Produtos Acabados ou Mercadoria/Custo do Produto ou Mercadoria Vendida x 30
PMP – Prazo médio de pagamento de compras
PMP – SM: Duplicatas a Pagar/Compras Brutas x 30
PMR – Prazo médio de Recebimento das Vendas
PMR – SM: Duplicatas a Receber/Vendas Brutas x 30
PMD – Prazo médio Pagamentos das Despesas Operacionais (fixas)
PMD – SM: Despesas Operacionais Fixas/Despesas Incorridas x 30. Normalmente esse número para as MPE´s será igual a 30 dias.

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Mensuração do ciclos

« Ciclo Operacional = PME (mp) + PMF + PMV + PMR

« Ciclo Econômico = Ciclo Operacional – PMR

« Ciclo Financeiro = Ciclo Operacional – PMP

« O PMD não expande o ciclo total da empresa, será utilizado no dimensionamento do capital de giro necessário. O ciclo financeiro poderá sofrer alterações mediante às políticas de descontos que a empresa estiver praticando.

« O volume maior ou menor da necessidade de capital de giro está diretamente ligado aos prazos dos ciclos. Por isso, a gerência dessas variáveis é imprescindível para o bom desempenho da organização.

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Cálculos para investimentos

Necessidade de investimento em capital de giro com base em dias de venda – NIG

Estoques
PME(v) = PME(mp) x (Consumo de MP/Vendas Brutas )
PMF(v) = PMF x (Custo Produto Vendido/Vendas Brutas )
PMV(v) = PMV x ( Custo Produto ou Mercadoria Vendida/Vendas Brutas )

Fornecedores
PMP(v) = PMP x (Compras Brutas/Vendas Brutas )

Clientes
PMR(v) = PMR – Este prazo já está ajustado em dias de vendas pois foi calculado sobre as vendas.

Despesas Fixas
PMD(v) = PMD x (Despesas Incorridas/Vendas Brutas)

 

Equação para cálculo da necessidade de investimento em giro 

Investimentos em Ativos Operacionais (Circulante ) – IAO
I.A.O. = PME(v) + PMF(v) + PMV(v) + PMR(v)

Recursos Obtidos do Passivo Operacional – RPO
R.P.O. = PMP(v) + PMD(v)
NIG(v) = I.A.O. – R.P.O.

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Atenção, empreendedor!

Se NIG > que 0, significa que a empresa está precisando financiar seu capital de giro com recursos próprios ou de terceiros.

Se NIG < 0, representa que a empresa está operando com capital de giro totalmente coberto com as fontes de financiamento que já dispõe. No entanto, ainda assim é importante analisar que fonte está financiando o capital de giro para averiguação dos custos deste financiamento comprados com a Lucratividade, Rentabilidade e Margens da empresa.

Essa análise é feita pela equação: CGP = ( ELP + PL ) – AP e daí concluímos: se CGP > 0, a empresa financia seu giro
(parte ou integral ). Se CGP < 0, o capital de giro é 100% financiado por terceiros.

De um forma geral, a análise também poderá detectar oportunidades de melhorias no ciclo econômico-financeiro, pois qualquer alteração nos prazos médios acarretam significantes mudanças no valor da NIG. Além de dar suporte de decisão para o caso de projeção de valores futuros do faturamento da empresa.

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Capital de Giro por Produto

Gerador ou Tomador de Caixa

Consideramos que a análise do capital de giro deve ser estendida até a unidade de cada produto. Pois é tão importante quanto a sua própria margem de contribuição, no que se refere ao caso de produto tomador ou gerador de caixa e os impactos de custos desta ou daquela situação. Para tanto, usamos as mesmas premissas para análise do capital de giro total da empresa, com algumas informações adicionais de cada unidade do produto, que são:

• Venda Média Mensal – VM
• Estoque Médio em Quantidades – EMQ
• Dias de Estoque – DE = ( EMQ/VM)
• Compras Média em Quantidades –CMQ
• Preço de Venda – PV
• Prazo médio concedido ao cliente – PC
• Prazo médio obtido do fornecedor – PP
• Custo Unitário – CPV ou CMV – (considerar apenas Custos e Despesas Diretas –MD + Frete + Impostos s/venda + Comissões)

Calculando os prazos totais considerando custos e receitas respectivos ao produto, temos:

Contas a Receber – CR = (PV x VM x PC )/30
Estoque – Est. = ( CPV x CM x DE )/30
Contas a Pagar = CP = ( CPV x CM x PF )/30
Aplicando os valores obtidos na equação seguinte, determinaremos a condição de giro do produto, ou seja, CG unitário = CP – (CR + Est.)

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Atenção de novo!

Se CGu > 0, significa que o produto é gerador de caixa e que contribui com o valor total do capital de giro da empresa.
Se CGu < 0, trata-se de produto tomador de caixa e, portanto, deve-se verificar se o custo do financiamento desse capital de giro é maior que a sua própria margem de contribuição.

São muito remotas as possibilidade de um produto com elevada margem de contribuição apresentar capital de giro unitário positivo. Evidentemente, a concorrência em produtos desse porte seria extremamente acirrada, com reflexos
negativos para os resultados. Dessa forma, identificamos o NIG, o CGP e as relações com a estrutura, a política e as condições de mercado em que a empresa está inserida. Esse modelo poderá ser utilizado inclusive para projeções de valores futuros.



Ações que aumentam o NIG

• Compras à  vista • Redução dos prazos dos fornecedores • Aumento nos prazos concedidos a clientes • Ineficiência das cobranças • Níveis elevados de estoque • Uso do capital de giro próprio para financiar imobilizações excessivas ou uso particular • Numerário ocioso em caixa



Ações que diminuem o NIG

• Vendas à vista • Cobranças eficientes • Venda de imobilizados desnecessários • Maior rotação dos estoques • Maior lucratividade • Aumento dos prazos de pagamento obtido dos fornecedores



Caros leitores, tudo isso é um modelo para exemplificar como se deve proceder quando o assunto é capital de giro. Qualquer dúvida, entrem em contato. Na próxima semana, vamos falar com mais profundidade sobre o Pro Labore.



Quem é Francisco Freitas

Francisco Freitas, 50 anos, é consultor internacional com 25 anos de experiência. Assessora empresários nacionais e internacionais a expandirem seus negócios. Além disso, oferece serviços de administração e gestão, assessoria jurídica internacional e estratégias de comunicação e marketing. Ex-consultor do Sebrae-SP.  Aliás, é natural de Bauru e atualmente mora em Campinas, onde atua como Diretor Executivo para Negócios Internacionais na SociBusiness Internation Corp. Toda semana está no Inaugurando em Bauru falando sobre o mundo dos negócios.