Leishmaniose: pesquisador da NASA vem conhecer pesquisa desenvolvida em Bauru

O projeto piloto Encoleiramento Inverso,  que tenta combater a Leishmaniose Visceral Americana em cães como alternativa à eutanásia, chamou a atenção do pesquisador e PhD Jeffrey C. Luvall da NASA (Agência Espacial Americana). O projeto é desenvolvido pela Divisão de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde.

O prefeito Clodoaldo Gazzetta e o secretário de Saúde, José Eduardo Fogolin, receberam nesta sexta-feira, 27/04, o pesquisador americano e o professor Raul Borges Guimarães, da Unesp Presidente Prudente.

Também participaram da visita o diretor do Departamento de Saúde Coletiva, Mario Ramos; o diretor do Centro de Controle de Zoonoses, Luiz Ricardo Paes de Barros Cortez, autor da pesquisa; a geógrafa e doutoranda da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Unesp de Presidente Prudente, Patrícia Matsumoto. Além de representantes do Instituto Adolf Lutz de São Paulo e Bauru, da Unesp de Presidente Prudente, das secretarias municipais do Meio Ambiente e de Saúde.

Leishmaniose - pesquisador-nasa-bauru

Leishmaniose: tratamento alternativo

O projeto de pesquisa Encoleiramento Inverso é pioneiro no país. Foi aprovado pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, parceira da pesquisa, e Instituto Adolf Lutz.

O projeto é desenvolvido no Núcleo Isaura Pitta Garms, Parque Giansante e Chácara São João. E pretende ser uma nova estratégia de controle da leishmaniose visceral americana na cidade. São utilizadas coleiras impregnadas com deltametrina como alternativa para evitar a eutanásia de cães.

“Escolhemos estes bairros para serem trabalhados de formas diferentes por apresentarem características semelhantes, são afastados, possuem população canina grande e estão em região de mata”, informa Luiz Cortez.

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Cães, membros da família

Os cães que são diagnosticados portadores da Leishmaniose Visceral Americana, e que não estão apresentando sintomas da doença, recebem uma coleira. São monitorados pelos agentes do Controle de Zoonoses. O projeto tem a duração de um ano.

Os dados científicos coletados neste período, caso sejam considerados positivos, serão encaminhados ao Ministério da Saúde. É uma proposta de alternativa para o combate da leishmaniose.

“Hoje o método de combate à leishmaniose, que é a eutanásia, não está se mostrando eficaz. O que contribui para isso é que o modo de ver os cães pelos proprietários mudou. Ele passou a ser considerado um membro da família, o que causa a recusa da eutanásia. Com essa pesquisa, buscamos dados científicos de que a coleira pode evitar que o mosquito pique o animal. Esta pesquisa é bem aceita pela população porque vem de encontro aos anseios dos proprietários e a ética do bem-estar animal”, explica o diretor do Centro de Controle de Zoonoses.