Pró-labore nas empresas exige cautela e planejamento

Nesta semana, gostaria de abordar um assunto um pouco espinhoso dentro das empresas: o pró-labore. Ou seja, a retirada mensal a que tem direito os sócios das empresas. Aqueles que se arriscam no comando de uma atividade empresarial, em um primeiro momento possuem dois objetivos básicos: 1 – satisfazer as suas necessidades pessoais; 2 – remunerar o capital que se está investindo no negócio.

Uma das grandes dúvidas dos empreendedores, empresários formais ou informais é a determinação dos valores a serem retirados do negócio, quando devem ser feitas e/ou como deve ser feita a divisão dos valores.Na maioria dos casos, a definição dos valores das retiradas efetuadas nos negócios não segue nenhum critério. Ou seja, simplesmente vão se retirando valores do caixa da empresa, conforme as necessidades vão surgindo.

Porém, esse procedimento causa dificuldades para a empresa, pois o não planejamento ocasiona, na maioria das vezes, insuficiência de capital de giro e consequente saldo de caixa negativo. Isso impossibilita o pagamento das obrigações do negócio e leva as empresas a buscarem recursos financeiros junto a terceiros (bancos, fontes informais, etc).

Quando uma empresa possui mais de um proprietário, sempre surge um momento de impasse, que é a definição do quanto cada um pode efetuar de retirada. Tanto para satisfazer as suas necessidades pessoais periódicas, como para remunerar o capital investido no negócio.

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Retirada pró-labore: situações duvidosas

1) Em uma sociedade de 2 pessoas (sócio A e sócio B), o sócio A atua direto na empresa. Ou seja, está diariamente na empresa enquanto o sócio B não atua no dia a dia na empresa. É apenas um sócio com participação no capital social da empresa, um sócio apenas capitalista. Nesse caso, ambos efetuam retiradas mensais? Somente o sócio A deve ter a retirada pró-labore mensal. O sócio B terá a remuneração do seu capital investido através dos lucros gerados
pela empresa ao longo do tempo.

2) Em outra sociedade, ambos os sócios participam no dia a dia na empresa, e, portanto, ambos efetuam retiradas mensais. Retirada pró-labore é a remuneração do tempo dedicado à empresa pelos sócios. Portanto, somente deve efetuá-la o sócio ou os sócios que se dedicam diariamente ou parcialmente ao negócio.

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Critérios para retirada pró-labore

1) Uma maneira de definir o valor a ser praticado a titulo de retirada pró-labore é tomar como base a soma das necessidades pessoais. Fazendo um levantamento das necessidades pessoais dos sócios, conclui-se o valor a ser praticado como retirada pró-labore.

2) Outra maneira de se definir o valor da retirada pró-labore é a observação e levantamento de informações do mercado de trabalho sobre o valor da mão de obra de profissionais que desempenham funções como a que os sócios têm na atividade empresarial. A partir desses valores de mercado, teria-se um parâmetro de remuneração do tempo dos sócios. Se um sócio atuasse como gerente de vendas, ele teria como pesquisar no mercado de trabalho o quanto vale a mão de obra de um gerente de vendas, obtendo assim, um parâmetro de medição da retirada pretendida ou realizada.

Essas análises servem apenas de parâmetro para que o sócio ou os sócios tenham uma ideia do que poderia ser considerado um valor mais justo para com a empresa. Outra providência correta é a definição do momento em que a retirada acontecerá, pois como trata-se de uma despesas fixas (deverá ser paga pela empresa independente do volume de vendas). Além disso, deve ser programada para ocorrer num dia específico ou numa semana específica, a não ser que na empresa não haja dificuldades de falta de capital de giro no caixa ou na conta corrente bancária. Para tanto, deve-se ter um planejamento pessoal dos sócios.

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E a distribuição de lucros?

E os sócios que não participam do negócio, mas que investiram recursos financeiros para que a empresa tivesse vida? Eles terão seus investimentos remunerados pelos lucros gerados periodicamente pela atuação da empresa. É necessário extrair da empresa, periodicamente, a informação sobre a geração ou não de lucros, para que possam fazer a distribuição dos lucros.

No caso de sócios capitalistas, ou seja, que participam da composição do capital social, tal distribuição também deve ser criteriosa. Do contrário poderá gerar grandes dificuldades e falta de capital de giro nas empresas. Como os lucros que são gerados constituem-se em parte do capital de giro existente na empresa, nem sempre estarão disponíveis a qualquer momento para ser distribuído. Portanto, para que a distribuição possa ser feita, antes é preciso que o recurso esteja disponível no caixa da empresa. O melhor é utilizar ferramentas de controles gerenciais.

Outra questão sempre muito importante de ser comentada é que retirar lucros da empresa somente é justificável se houver outra opção de investimento tão ou mais rentável do que a própria empresa. Se a empresa oferece uma excelente rentabilidade e corrige o capital investido de maneira satisfatória, em geral, deve-se deixar o recurso financeiro na própria empresa para que o mesmo continue sendo corrigido.

Para concluir, gostaria de dizer que quando o assunto são negócios, primeiro trabalhe. O sucesso vem bem depois, quando você estiver quase desistindo. Empreender é difícil e envolve coragem, comprometimento e muitas noites sem dormir; aquela azia constante no estômago e a sensação de que tudo, de uma hora para a outra, irá desabar. E é exatamente isso que, não te matando, te tornará mais forte e pronto para encarar a vida. Até a próxima!

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Quem é Francisco Freitas

Francisco Freitas, 50 anos, é consultor internacional com 25 anos de experiência. Assessora empresários nacionais e internacionais a expandirem seus negócios. Além disso, oferece serviços de administração e gestão, assessoria jurídica internacional e estratégias de comunicação e marketing. Ex-consultor do Sebrae-SP.  Aliás, é natural de Bauru e atualmente mora em Campinas, onde atua como Diretor Executivo para Negócios Internacionais na SociBusiness Internation Corp. Toda semana está no Inaugurando em Bauru falando sobre o mundo dos negócios.